segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Escatológico

Deus fez todas as coisas
e, absolutamente, de todas elas
Ele se desfez.
Eu vejo o mundo
com o homem cada vez mais boçal,
mais imundo...
Observo as riquezas,
a purgação de toda a natureza
Que se confunde com o cenário destrutivo
do interior das nossas almas
calhadas, espatifadas,
oprimidas pelo cinismo dessa nossa vaidade.
Dentro de sua ínclita onisciência,
é escancarar o óbvio dizer
que Deus sabia - desde antes - bem exatamente daqui,
onde iríamos chegar.
E não resta dúvidas de que,
a par disso, Ele desistiu... entregou-nos...
Devolveu aos homens o gosto amargo
de suas injustificáveis revoltas e insaciabilidades.
Deus logo tratou de acabar com a besteira
mais cretina que mantínhamos ao sustentar
a tese do dualismo; as velhas alegorias do bem versus mal.
E hoje, ri-se o diabo dentro de nós!
Atestar a incompetência seria admitir as incongruências
da famigerada obra do perfeito criador.
E, em síntese, ao escopo de acabar com a liquidez
do erro, do pecado, do defeito, dos insatisfeitos,
dos desacreditados:
Por favor, consideremos os números! enfrentemos a estapafúrdia tolice:
Deus não quis mais conversa.
Determinou que se resolvesse, se fulminasse
a grande esquisitice...
Adeus, Sol; Lua; Água; Terra.
Adeus, Deus...
Eis o nosso próprio fim.