domingo, 27 de junho de 2010

Morfina

O mundo desaba,
A raiva vem me dominar...
Ela sabe o que me acaba
E parece querer me provocar
Tudo se perde
Com a pífia saliência dos meus instintos
Um escárnio que fede
Ferida exposta
Nada remota
Quando levemente tocada
Constrói um ímpeto
Capaz de diluir tragédias
Excluir qualquer ideia
Que busque, de alguma forma, explicação
Esqueço da razão
Tento me equilibrar
De mim, evade-se a sutileza
Chega a ser impossível evitar
Essa obscura torpeza,
Minha completa fraqueza
Que sempre vem me derrubar
Perseguir, ruir, mitigar
Às vezes tento distrair
Pra descontrair o ar
Que fica pesado, tenso
Fico desconcertado, suspenso
da faculdade de perquirir, observar
Contemplar as situações da natureza
Discernir o que seja tolerar
Porque sou vítima incólume
Dos crimes que eu mesmo cometi
Sou devasso no espaço que por si amiúde
Bem sei que é só meu
Mas é tomado por um breu repleto de ciúme.
Meu caso é clínico
E por ele, nem Deus
Só me cicatrizo quando você vem tirar meu atraso
Suprir meu desejo, prender-me em seus braços
E dizer que sou seu!