Não sei.
Provavelmente, você também não.
Que lugar é esse onde o amor acontece?
Um paraíso perdido, jardim do Éden?
Um palácio vislumbrante?
Versalhes? Taj Mahal?
Ou não existirá de certo um monumento
Sim. Talvez. Não.
Do movimento de brasis esquecidos,
Nos rincões distantes, nesse universo inteiro chamado sertão.
Meio de Goiás, sul do Maranhão...
Paisagem hostil... tempo desértico, seco... penhasco de pedras, veredas...
Tão perto, que é longe, no coração
Ou onde a gente pensa
e, vazio da razão, aqui, exatamente aqui nesse lugar em que a gente sente
E assenta os versinhos bobos, ouvindo gostando até das baladas bregas
que justificam essa inocência besta desse mesmo cantinho
onde o amor acontece...
Saara
onde se passa o sofrimento
E se encontra o nada.
Mas, também de onde se avista a miragem
Paixão sedenta, ilusão presente.
Aqui que se vacila, trai, perdoa, passa por cima
Segue em frente
Onde o amor acontece, espaço disforme, entorpecente
Ninguém sabe onde começa, se ameia ou termina...
Nem revela aonde nos leva
Se aos céus ou à ruína.
Quererei, como já quis, e hoje, mais quero ainda
Saber se em você também cresce
Esse lugar desconhecido
Oculto e lindo
Onde o amor acontece
desnudo, se abrindo.
