domingo, 22 de dezembro de 2013

Noturno

Todo poeta tem que ser triste
Toda poesia tem que ter tristeza
Todo ar poético sempre insiste
Ao fazer do momento a riqueza
dos suspiros comovidos,
a falsa dor que enseja
somente tocar, mexer, provocar o coração.
Toda partida, vida, rodovia, todo avião.
Tem sempre a saída, em que entra a poesia
Nos estremece, então.
Cura a alma e alivia
Nos enche de inspiração
Pra prosseguir a profecia
Sem saber exatamente o depois
que silencia nossa procissão.
A morte é encantamento
A morte não é morte
É o vento, que carrega o tempo
sem direção...
Lua, deusa do silêncio,
esparrama pela rua
em que me apoquento
um pouco dessa sua
pura motivação.
Me diz qual a intenção
ao despertar os anoitados
Incomodar os destemidos
que cortam a manhã
cumprindo uma missão.
Óh, Lua,
Me repasse o segredo
que o sol esconde quente
qual a sua solução.
Crua
não te aguentas de ausente
e vem brilhar toda semente
que se abre, misteriosamente, pelo chão.
Fecunda
toda vida que arrebente
seu segredo de vivente
Reflexo de Deus, seu quinhão.