sábado, 3 de agosto de 2013

Passageiro

A gente às vezes se esquece que cada um de nós é um planeta. Cada pessoa é, na verdade, um mundo inserido num contexto astrológico diferente. Galáxias que, em alguns momentos, se aproximam, se esbarram, se piscam, ou simplesmente se perdem por anos-luz de buracos negros, obscuros, por vácuos que não comportam a existência, e tampouco o entendimento.

Não se sabe ao certo por que amamos. A ciência e a filosofia, tão avançadas, enumeram intermináveis conceitos de sociabilidade, de afetividade, de enlaces e de relacionamentos. Neste sentido, o amor é a conjugação, a sobreposição, a intersecção de duas ou até mais pessoas, mundos, galáxias, contextos de astros, todos em profusão, em choque, em contato.

Também não se sabe ao certo o que é o amor. Um sentimento recalcitrante, uma inclinação, uma tendência a admirar, contemplar, perceber o outro, ou um simples compartilhar de uma vida solitária que, a partir do próprio amor, passa a ser um pouco mais suportável...

Assim, restam as sinceras desculpas por não saber se amo. Agora, gostaria que me perdoasse ainda mais pelo fato de continuar obsessivo, mesmo indeciso e indefinido em relação ao conteúdo e à classificação do que sinto constantemente. Apenas manifesto que a vontade do desejo de querer é o pleonasmo mais do que qualificado e bem acertado na minha estreita passagem pelo presente.

E bem por isso, vim me eximir: querer todo dia é alimento ao espírito. A vontade frenética e permanente é impulso de vida. A razão de existir, o motivo de ser, o que incentiva e justifica o ter, o resumo da ópera, a síntese da obra, o feixe de tudo. E, pra não mudar a rotina, cumprindo com o mister do ofício, depois da extensa mensagem, cabe o apelo: te quero! Fica comigo?