terça-feira, 28 de junho de 2011

Prosaico

Mal a noite aqui termina,
E eu já vô me levantá...
Me aprontano prá o dia
Nem despeço do meu lar!
Paro bem ali na esquina,
onde o buzão vai passá
Se eu abandono essa sina,
Me diga, dotô, como me sustentá?

Esse é o castigo popular,
Mal o sol raiou
e eu já vô trabaiá.

E na fábrica distante,
Minha mente a montá
Pensamentos delirante
Que a Maria vêi falá:
O fejão já acabô!
arroiz amanhã num dá...!
E o guverno só falô
Mas o mês terminô e num vai ajudá.

Esse é o castigo popular,
Dependê do guverno
prá si alimentá...

Isso muito me preocupa
Só que eu num posso pará
Prá esquentá a minha cuca
Com os aperto de lá...
Tão logo eu volto pra casa
e bem antes de chegá,
avisto os meus oito fiô,
Me esperano prá brincá!

Esse é o castigo popular,
Os meus oito fiô
eu tenhu que educá...

E assim no cair da noite,
a Maria vai ligá
a TV prá vê novela
enquanto eu vô pro bar...
Ô seu Zé, pendura a conta!
da pinga que eu vô tumá...
Cantano eu animo a dança
Depois a Maria vai tê que aguentá!

Esse é o castigo popular,
Cantano e sambano
É mió que chorá.