Quanto à reforma política que vem sendo desenhada no Congresso, tramita a mais polêmica das propostas: o voto em lista fechada que, não obstante, poderia até mesmo ser chamado de “o voto FECHADO em lista”. Ocorre que a propositura visa delimitar o eleitor a simples escolha do partido político, ou seja, votar única e exclusivamente na legenda partidária para o Legislativo. Nesta toada, o partido se organiza de tal modo a apresentar uma lista com nomes ordenados e que não seria amplamente divulgada no pleito, porque a disputa ficaria entre os entes político-partidários e não entre personalidades isoladas.
Mantidos os cálculos do coeficiente eleitoral, o partido que conseguisse fazer uma ou mais cadeiras, teria estas mesmas ocupadas pelos nomes que encabeçassem as listas homologadas nos respectivos Tribunais Eleitorais, em data prévia ao escrutínio. Para complementar a mudança, há outro Projeto tendente a abolir as coligações interpartidárias para as disputas proporcionais. Não fosse o bastante, a Reforma quer possibilitar – ainda que com um procedimento rígido – candidaturas apartidárias: implica dizer que uma pessoa física poderá colher um quantum de assinaturas (correspondentes a uma porcentagem do eleitorado) para, enfim, lançar-se candidata sem a inscrição em partido político (requisito indispensável para o exercício do direito político passivo hoje).
São ideias que caminham juntas mas que, sem fazer juízo de valor, estão fadadas ao fracasso. Os parlamentares têm demonstrado apenas a confirmação da velha tese que assevera ser Brasília uma ilha da fantasia, justificando que a realidade da capital federal é completamente distinta daquilo que se vive no resto de todo o Brasil. Pois as pessoas que gravitam nos Palácios parecem ser lunáticas, tamanha a discrepância entre suas elucubrações revolucionárias e a cotidianidade, a cultura do povo brasileiro que, por suas expensas, mantém a cátedra surreal no poder.
O voto em lista fechada busca o inexistente no País: vida partidária ativa. Sabemos que os brasileiros, bem como os partidos, não têm perfil, nem seguem doutrinas ou correntes ideológicas... não há identificação partidária no Brasil, muito menos fiscalização suficiente pra garantir que os partidos serão eminentemente democráticos e prevalecerá a vontade popular no antro de cada Diretório para a confecção das listas.
Votar em lista fechada é ir contra o perfil do eleitor que sempre primou pela afinidade, por reconhecer em seu candidato traços característicos de similitude que garantem a representação efetiva e concretamente popular. Essa forma de votação acontece sim em vários países da Europa, completamente distintos e sérios o suficiente pra que ela funcione bem. Aqui, do lado debaixo do Sul do Equador onde inexiste pecado e ética, nos falta ainda muita maturidade!
Ora, a campanha de 2010 foi um festival de paradoxos, tergiversações e contradições de todos os lados. A presidenta Dilma Rousseff que antes se declarava francamente a favor da descriminalização do aborto, quando da campanha eleitoral, jungiu um discurso exaustivamente conservador, religioso e moralista. Na mesma esteira das ambiguidades comportamentais e políticas, os candidatos José Serra e Índio da Costa Ferreira (PSDB-DEM, respectivamente) que sempre teceram duras críticas ao Assistencialismo, tendo o segundo inclusive taxado o programa Bolsa Família de “Bolsa Esmola”. Na campanha, a direita prometeu implementar o 13º do Bolsa Família e fazer a expansão de políticas dessa natureza. José Serra não parou por ai: afirma ser o tucanato, por meio do governador de Goiás, Marconi Perillo, o responsável pela criação das ações que, antes, para o presidenciável paulistano, era mero pão e circo no Brasil. Provas clarividentes e cabais de que não temos política comprometida e estruturada neste País. São grupos que se posicionam conforme o tom da conveniência. Não defendem causas que toquem a espinha dorsal das convicções coletivas dos partidos que também não existem! Também por isso é, no mínimo, perigoso entregar a representatividade dos parlamentos à burocracia partidária...
No início do século XX, o pré-modernista da literatura brasileira Lima Barreto, na sátira Os Bruzundangas, tem uma frase perfeitamente cabível para a compreensão do cerne da cultura nacional: “O Brasil não tem povo, tem público!”. E enquanto não assistimos nossas instituições e nosso poder do voto desmoronarem de uma vez por todas, nos satisfazemos com outros entretenimentos, afinal de contas, a nossa política é controvertida: e parece servir apenas para desgovernadamente, nos prejudicar!
Mantidos os cálculos do coeficiente eleitoral, o partido que conseguisse fazer uma ou mais cadeiras, teria estas mesmas ocupadas pelos nomes que encabeçassem as listas homologadas nos respectivos Tribunais Eleitorais, em data prévia ao escrutínio. Para complementar a mudança, há outro Projeto tendente a abolir as coligações interpartidárias para as disputas proporcionais. Não fosse o bastante, a Reforma quer possibilitar – ainda que com um procedimento rígido – candidaturas apartidárias: implica dizer que uma pessoa física poderá colher um quantum de assinaturas (correspondentes a uma porcentagem do eleitorado) para, enfim, lançar-se candidata sem a inscrição em partido político (requisito indispensável para o exercício do direito político passivo hoje).
São ideias que caminham juntas mas que, sem fazer juízo de valor, estão fadadas ao fracasso. Os parlamentares têm demonstrado apenas a confirmação da velha tese que assevera ser Brasília uma ilha da fantasia, justificando que a realidade da capital federal é completamente distinta daquilo que se vive no resto de todo o Brasil. Pois as pessoas que gravitam nos Palácios parecem ser lunáticas, tamanha a discrepância entre suas elucubrações revolucionárias e a cotidianidade, a cultura do povo brasileiro que, por suas expensas, mantém a cátedra surreal no poder.
O voto em lista fechada busca o inexistente no País: vida partidária ativa. Sabemos que os brasileiros, bem como os partidos, não têm perfil, nem seguem doutrinas ou correntes ideológicas... não há identificação partidária no Brasil, muito menos fiscalização suficiente pra garantir que os partidos serão eminentemente democráticos e prevalecerá a vontade popular no antro de cada Diretório para a confecção das listas.
Votar em lista fechada é ir contra o perfil do eleitor que sempre primou pela afinidade, por reconhecer em seu candidato traços característicos de similitude que garantem a representação efetiva e concretamente popular. Essa forma de votação acontece sim em vários países da Europa, completamente distintos e sérios o suficiente pra que ela funcione bem. Aqui, do lado debaixo do Sul do Equador onde inexiste pecado e ética, nos falta ainda muita maturidade!
Ora, a campanha de 2010 foi um festival de paradoxos, tergiversações e contradições de todos os lados. A presidenta Dilma Rousseff que antes se declarava francamente a favor da descriminalização do aborto, quando da campanha eleitoral, jungiu um discurso exaustivamente conservador, religioso e moralista. Na mesma esteira das ambiguidades comportamentais e políticas, os candidatos José Serra e Índio da Costa Ferreira (PSDB-DEM, respectivamente) que sempre teceram duras críticas ao Assistencialismo, tendo o segundo inclusive taxado o programa Bolsa Família de “Bolsa Esmola”. Na campanha, a direita prometeu implementar o 13º do Bolsa Família e fazer a expansão de políticas dessa natureza. José Serra não parou por ai: afirma ser o tucanato, por meio do governador de Goiás, Marconi Perillo, o responsável pela criação das ações que, antes, para o presidenciável paulistano, era mero pão e circo no Brasil. Provas clarividentes e cabais de que não temos política comprometida e estruturada neste País. São grupos que se posicionam conforme o tom da conveniência. Não defendem causas que toquem a espinha dorsal das convicções coletivas dos partidos que também não existem! Também por isso é, no mínimo, perigoso entregar a representatividade dos parlamentos à burocracia partidária...
No início do século XX, o pré-modernista da literatura brasileira Lima Barreto, na sátira Os Bruzundangas, tem uma frase perfeitamente cabível para a compreensão do cerne da cultura nacional: “O Brasil não tem povo, tem público!”. E enquanto não assistimos nossas instituições e nosso poder do voto desmoronarem de uma vez por todas, nos satisfazemos com outros entretenimentos, afinal de contas, a nossa política é controvertida: e parece servir apenas para desgovernadamente, nos prejudicar!