quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Etílico

Madrugadas
Em dias úteis
Nada mais útil do que vivê-las
Intensivamente ébrias
Loucas
Ao bel prazer das leviandades.
Furadas
As mais belas derrocadas
Dos barcos mais atracados,
Das pessoas mais bem derrotadas
Tolas
Arroladas em reciprocidade.
Compartilha-se o ócio
O tóxico
A impassibilidade
O esboço próprio
Do gosto amargo do que se bebe
E se comenta sobre as falácias do viver.
Moda
Sempre foda
O costume de detonar-se
Atracar-se
Resumir-se na impossibilidade de superar
A mais cotidiana certeza
De que depois da última rodada na mesa
Nada vai mesmo se transformar.
Rodeio o mundo,
Tonto profundo
Vou tentando me enganar.
Falso escape
Imenso ataque
À saúde, que amiúde
Insiste em piorar.
E daí pros mais impunes
Que a exigibilidade moral alude
Memórias, honrarias cogitar.
Eu quero ser sem o que se presume
Eu quero ser o imune
O fato, que mais breve se passar.