quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Interno

Não sei amar pela metade. Nem me dedicar pouco. Ou me entrego por inteiro, ou prefiro nem existir. Imagino aquela partida de futebol... Mas, não há nada mais hétero e fútil do que uma partida de futebol. Porém, no contra-ataque, o zagueiro precisa defender sua área do atacante, cometendo-lhe, se preciso, uma falta. A falta que não para a jogada pode implicar na continuidade do ataque, pela lei da vantagem, e fatalmente no gol da equipe adversária, com a consequência mínima do cartão amarelo pro zagueiro pouco faltoso. Agora, se o jogador defensivo é capaz de bruscamente parar o contra-ataque, ele evita o gol, mas é expulso da partida com o cartão vermelho. Lógico: sou desses... Levo o cartão vermelho e tomo suspensão automática pra ficar lambendo o dedo e ver se decido o campeonato do ano que vem. Aliás, por que é que a humanidade tem esse ranço de querer ser protagonista de suas decisões sempre? Seria muito, muuuuito mais fácil ser pré-destinista. Sabe o que é isso né?! Aqueles que acreditam que o destino já está traçado! Sim. As pessoas e o mundo é imutável. Tudo já foi escrito no livro do excelso, ou no misterioso arcabouço das estrelas e parece que quando a gente ama de verdade, uma hora, um segundo, é uma eternidade. Ah! meus relacionamentos... 25 anos e a infelicidade de não ter tido sequer três meses com uma mesma pessoa. Por que? A minha arrogância, a insegurança emocional, a profunda entrega que desperta no outro inclusive desconfiança... e óbvio: a infidelidade de acreditar que só existe amor se ele for livre. Meu coração está cansado. Artérias endurecidas porque vem tanta gente, tantos sentimentos diferentes, tanta turbulência, em fulminantes intensidades. Morri de amores semana passada. Não amadureci. Ouço das arquibancadas o som gritante das pessoas. Vejo, nos campos, que o jogo continua. Sinto, por dentro, que ainda bate. Cartão vermelho. Cumpri a suspensão. Estou pronto de novo. Quero morrer de amor outra vez.