Palácios já não sugerem príncipes encantados, senão, tristeza. Das milhares de vezes em que o medo veio visitar minha mente ameaçando tingir o futuro com os fundos da solidão, todas, transformei em ironia e tédio.
Era noite de domingo. As famílias regressavam de seus cultos religiosos, assistiam TV, se preparavam para dormir e a semana recomeçava a levantar os desafios. Demissões em massa. Ataques terroristas. Golpes de Estado. Celebridades se divorciando depois de três meses de casamento e cinco traições públicas e notórias. A cultura erige um repeteco corriqueiro cada vez mais distante dos contos de fadas.
No entanto, nesse mesmo fim de semana, na última balada daquela mesma boate, idealizo outra vez outro idiota que vai se revelar amanhã ou depois não ser o herdeiro do reino perdido, do coração iludido, estúpido, infantil e tão consciente da monotonia. Viraram o século. Recriaram o mundo. Matou-se o amor.
