Eu não posso admitir
que o fracasso bata à minha porta
e me bata em devota
peregrinação de um vassalo.
Eu não posso permitir
que a paixão que mata e provoca
o verdadeiro fim venha e dê nota
de falecimento de mais um otário.
Eu quero mesmo é me livrar
desse caos que me remete ao meu próprio vilipêndio.
Eu não quero mais ouvir as falsas promessas no ar,
cansei de ver subestimado o meu entendimento.
Brincadeiras de amor quando infantis são lembranças
quando maduras e sentimentais são matanças
atrozes, atingem o âmago, o que há de mais profundo aqui dentro.
E cá, nos meus lençóis mal resolvidos,
ainda há a esperança do que foi bom partido
e hoje representa o ódio, a antítese da razão.
Droga é ter que aceitar o coração como o retrato do mito de pandora
e permanecer projetando expectativas em pessoas que ora
muito nos deram motivos para tal criação.
Mas hoje não passam de passado, coisa vivida, memória, imaginação,
esperança que foi embora...
É extremamente difícil essa rotina
de dolorosamente perceber que se gosta de alguém que pouco se importa
e sentir-se usado é a sina mais ingrata da vida de um amante deslumbrado por ela.
Até calculamos o mal como meio de atingir o bem...
Nos distanciamos muito dos outros pra nos apegarmos a alguém
porque assim acreditamos na redescoberta da graça de viver!
E as lamúrias, bem como as lágrimas, as brigas, as cartas mais lastimadas
todas elas são superadas pelo desejo do ser.
Acabam se tornando preces, e de novo vassalas, insistentes enriquecem
a condição mais misericordiosa da limitação humana.
Por favor, me ame! não diga que me engana.
Sim, pelo amor, me chame e reascenda a chama
Induzindo-me a aquilo que há de mais belo, profano e alcança
o físico, o metafísico, nos limítrofes de uma cama.
Vem atravessar a margem, vem pra dizer que ama
Vem me tirar do poço, me purificar da lama
Vem pra sentir o gosto, do que falta e se reclama
pra adocicar a vida, vem sem jeito, vem sacana
Ouça que eu te quero viva, e assim feito, a gente se lança
no mar de pétalas caídas que florescem o retrato
do exótico, do idílico, sonho barato
Perco-me no meu paraíso, escondo-me no meu palácio.
Procuro as melhores formas pra dizer tudo isso
não encontro. Um fiasco!
Sem fim, sem início...
Sem começo, nesse vício:
o meu vínculo, o meu ciclo
divagando sem qualquer preocupação
E me acabando...
em desilusão.